Quem realmente ama não procura motivos para ficar. Torna-se um deles

Solange das Flores Nascimento (Sol Flores) – Psicóloga psicanalista, atriz e diretora profissional e pós graduada em metodologia do ensino
Há pessoas que entram em nossa vida fascinadas pelo nosso brilho. Aplaudem nossas vitórias, sorriem diante dos nossos acertos e celebram os dias em que tudo parece florir.
Mas o amor verdadeiro não faz morada apenas nos dias de primavera.
Ele permanece quando o inverno chega.
As pessoas que realmente amam você não calculam vantagens, não fazem contas, não medem o afeto pela utilidade que você oferece. Elas não desaparecem quando a vida perde as cores, quando o sucesso se cala ou quando o mundo parece desabar sobre seus ombros.
Elas ficam. Ficam quando as palavras faltam, quando o sorriso pesa, quando o medo vence a coragem, quando você já não consegue enxergar em si mesmo aquilo que um dia acreditou ser.
Porque quem ama de verdade enxerga a sua luz até nos dias em que você só consegue ver a própria escuridão.
Há uma beleza silenciosa em quem permanece. Não é o barulho das promessas, mas a delicadeza da presença. É a mão que não solta, o abraço que não exige explicações, o olhar que continua dizendo: “Eu ainda acredito em você”.
O amor verdadeiro não abandona na primeira tempestade, ele abre o guarda-chuva.
Não exige que você seja forte o tempo inteiro, ele empresta a própria força até que a sua volte.
Todos encontrarão pessoas que amarão seus momentos de glória, mas poucos terão o privilégio de encontrar alguém que ame suas cicatrizes, porque é nas ruínas da vida que o amor revela sua verdadeira identidade.
É fácil permanecer quando tudo floresce; extraordinário é escolher ficar quando tudo desmorona. Quando você perde o rumo, quando a esperança se esconde, quando até a sua própria fé em si parece ter ido embora.
Nesses momentos, quem ama não tenta salvar apenas os seus dias, ajuda a reconstruir a sua alma.
E talvez essa seja a forma mais pura do amor: permanecer quando partir seria mais fácil, porque o amor que depende de motivos é apenas conveniência, mas o amor que permanece, mesmo entre os escombros, esse sim tem a delicadeza de um milagre e a força da eternidade.

